Maio de 2026. O planeta já está +1,43 °C acima do nível pré-industrial. Essa linha vermelha é o presente — e ela vai te acompanhar por toda a fita, do começo ao fim.
À esquerda dela, tudo é medido. À direita, tudo é projeção.
De 2000 até hoje, quanto da floresta amazônica desapareceu? Em 2000 já se tinha perdido ~13% (bioma pan-amazônico). Desenhe com o dedo a sua aposta da curva até 2026 — depois a realidade entra por cima e mede o seu erro.
Desenhe aqui — arraste o dedo (ou o mouse) sobre o gráfico para traçar a sua previsão antes de ver o real.
✎ Comece no ponto que pulsa (2000) e arraste para a direita, até 2026.
Curva real = PRODES/INPE + MapBiomas — Souza et al. 2020 (interpolação ilustrativa entre âncoras reais). DOI 10.3390/rs12172735 ↗
Em 2000 a Amazônia tinha perdido ~13% da floresta; hoje, ~17,5% (bioma pan-amazônico). O aquecimento subiu junto: o CO₂ ficou em ~427 ppm de média em 2025 e teve pico de ~432 ppm em maio/2026 (NOAA / Scripps, Mauna Loa).
Boa notícia recente (PRODES/INPE): ago/2024–jul/2025 = 5.796 km², queda de 11% e o menor em 11 anos; o fogo caiu ~45% em 2025. Mas atenção (régua honesta): a queda é do desmate do ano — o acumulado (~17–18%) não diminui, e ele segue perto do limiar de ~22% (Wunderling 2026). Reduzir o ritmo afasta o colapso; não apaga o que já se perdeu.
As curvas sólidas recuam mostrando o caminho até aqui. A série anual é interpolação entre âncoras reais (PRODES/INPE + MapBiomas), não medição ano a ano.
A curva do aquecimento se quebra em três: de 0,18 para 0,26 e agora 0,27 °C por década. O motor físico — o desequilíbrio de energia da Terra — mais que dobrou (0,40 → 1,04 W/m²).
DOI 10.5194/essd-18-3889-2026 ↗A +1,5 °C, pontos de inflexão acendem: corais, Groenlândia, permafrost. E uma rede frágil se desenha — Amazônia → monção → Nordeste — onde um elo puxa o outro.
A AMOC aparece marcada como disputada: não fingimos consenso.
DOI 10.1126/science.abn7950 ↗Do ponto de hoje, três leques tracejados divergem: conservador (0,18), ritmo recente (0,27) e com aceleração. Ao mesmo tempo, o limiar composto da floresta desce — quanto mais quente e seca, mais cedo.
Onde o desmatamento encontra o limiar, marca-se o colapso projetado.
DOI 10.1038/s41586-026-10456-0 ↗Você entrou como espectador. Agora é ministro do futuro: mova os controles e o futuro inteiro se remodela sobre esta mesma cena. O passado e o HOJE não mudam — só o que ainda não aconteceu.
◈ De onde você é? Toque no seu bioma ou região — a fita ganha o rosto do seu lugar.
O mesmo gráfico, agora subindo. Três alavancas peer-reviewed empurram o futuro para o lado bom — toque em cada nó verde da cena para ver a prova:
• Terras indígenas são escudo do tipping: dentro delas a floresta quase não cai.
• A floresta fabrica a própria chuva — infraestrutura hídrica que sustenta o limiar lá no alto.
• Renováveis viraram o ponto de virada POSITIVO: solar e eólica barateando em curva exponencial.
Parar o desmate evita o tipping da Amazônia. Volte ao simulador acima, baixe o desmatamento e o fogo: este é o futuro bom que aparece quando o colapso some da cena.
COP30 · Belém (nov/2025), com honestidade: a conferência aconteceu na porta da Amazônia, mas não saiu compromisso de saída dos fósseis; as 122 NDCs apresentadas somam só ~12% do corte necessário — insuficiente. A agência existe (as alavancas acima são reais), mas o acordo político ainda não acompanha a ciência.
DOI 10.1016/j.joule.2022.08.009 ↗